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# enquanto o tempo de crescer nao vem…
Tuesday, 06 de October de 2009 - 20:29

Estava eu na cozinha de minha casa. Fazendo um prático e delicioso
misto quente. Não posso dizer que eu cozinhava, porque apenas levantava
a chapa do grill de vez enquando para ver se o queijo já havia derretido…

Comecei então a pensar para passar o tempo, na maioria das vezes eu apenas imagino.

De idéia a teoria, manteiga a presunto. Acredito ter chegado a uma idéia de origem, ainda que talvez parcial, minha.Notem que convicção.

Em alguns anos, viveremos um novo mal do século, até agora temos a chamada ansiedade, a coitadinha tem culpa de tudo, comer demais, comer de menos, chorar de mais, chorar de menos,
trabalhar de mais, trabalhar de menos, morte sem motivo ou motivo para morrer. Mas há um mal que atacará jovens na faixa-etária de 17 aos 21, talvez até mais. As pessoas mais propícias a terem este mal, variam entre 14 e 16 anos. Apresento-lhes a inevitável : Depressão Pós- Aprovação.

De acordo com o que presenciamos no ensino médio, o ciclo vital de um estudante é : nascer, estudar, prestar vestibular e morrer. Não, não sou uma estudante revoltada. Apenas estou. Para a informação de alguns, eu
não fui reprovada em nenhum vestibular.Acontece que estava pensando, o que de fato vou fazer quando passar na
prova de minha vida. A resposta lógica seria : entrar na faculdade. Mas, de fato, eu quero é ser aprovada no vestibular ou estudar em uma universidade ? Entramos em um vício onde, não somos ensinados a estudar para saber, mas para o vestibular.

Nota : Aos professores de redação.Sim, eu sei que não se deve repetir palavras, afinal isto tira pontos do vestibular.Acontece que pra minha felicidade, isto aqui não é um vestibular.Então repetirei a palavra vestibular.Quantas vezes eu quiser, já que não perderei nota. ( Vestibular, vestibular, vestibular !! ).

Ultimamente, criou-se até mesmo uma metonímia: o vestibular da UFX é díficil. Espera aí, não deveria a universidade ser difícil ? Não nos fazem preocupar em sermos bons profissionais, e sim bons vestibulandos. Alguém em um instante disto tudo, me perguntou o que EU quero ? Não a minha vaga-garantida na faculdade caso eu estude x horas por semana e resolva y exercícios por dia ?

Não me lembro desta pergunta, mas caso a façam, imaginei uma resposta : Eu quero ter um maridão que me envolva em  seus braços quando eu chegar do trabalho.Ele provavelmente também estará exausto de tantas responsabilidades. Lembrarei então que o Miguel ( adoro este nome ) o meu futuro  filho caçula está louco para que eu assista com ele a décima quinta temporada de Barney. A - ainda não nascida - Júlinha tem tarefa, quem sabe se eu fizer com ela na mesa da cozinha, enquanto frito o peixe,  quando ela for tomar banho, eu possa ver televisão.
Depois de contar história de ninar, vou deitar na minha cama.Encostar a cabeça no peito do meu esposo, e dormir como se eu fosse morrer ali. E seria uma morte feliz. Teríamos almoços com mamãe e papai aos domingos.Fofocaria com as minhas irmãs as ultimas novidades.Lavaria a louça ao lado da minha melhor-mãe-amiga. E claro, sentaria no colo do homem que mais me ama no mundo : meu pai. Volto pra casa carregando meu anjinho, e meu anjo carregando minha princesa.Na segunda-feira, lá iria eu trabalhar, eu viveria daquilo, mas não para aquilo.

Não quero ser revolucionária, muito menos fazer protesto. Passar no vestibular vai ser muito bom. Mas não vai me fazer feliz.
Ser realizada profissionalmente, ajuda bastante, mas é algo totalmente diferente, e não me ensinaram isso na escola.